Se você deseja ser verdadeiramente rico, é essencial compreender o conceito de riqueza, como ela é formada, mantida e desenvolvida. Para começar, é preciso entender de uma vez por todas que riquezas em si não existem. O que realmente existem são recursos naturais abundantes (quando usados de maneira inteligente e sustentável) que são beneficiados pelo trabalho humano, o que pode dar início ao processo de enriquecimento. Outro conceito importante é compreender que a miséria também não é uma entidade em si, todos nascemos com recursos limitados. A miséria é simplesmente a ausência de riqueza.
Ademais, é igualmente crucial perceber que riquezas não são geradas por indivíduos ou empresas. Pessoas podem e devem explorar recursos naturais e beneficiá-los, transformando-os em produtos ou serviços que beneficiem a sociedade. Esse processo lhes concede direitos que podem ser convertidos ou trocados por outros benefícios necessários ou desejados (onde o dinheiro age como intermediário nessas trocas, cumprindo seu único propósito).
Dessa forma, quanto mais benefícios você oferecer, mais direitos a benefícios você acumulará, dando início à primeira fase do enriquecimento pessoal. Portanto, produzir é uma tarefa que compete a todos, independentemente das condições físicas. Acumular hoje assegura a prosperidade amanhã.
Empresas, por outro lado, têm a função de reunir pessoas para que, juntas, possam oferecer benefícios maiores e melhores à sociedade. Seja como empregador ou empregado, a missão é a mesma e voltada para a mesma pessoa: o consumidor. Quanto mais benefícios forem oferecidos ao mercado, maiores serão os direitos a benefícios. Dessa forma, acumulações são criadas e compartilhadas entre os participantes, seguindo regras e acordos estabelecidos. Quanto mais transparentes forem essas regras, maior será a produtividade entre os parceiros (membros da empresa).
Com todos esses pontos considerados, é possível entender que a formação da riqueza começa com a produção. No entanto, essa riqueza só é sustentada e estabelecida dentro do tripé da prosperidade, que compreende produtividade, austeridade e segurança jurídica. Não há outro meio, não há atalhos; para a riqueza se desenvolver, produtividade, austeridade e segurança jurídica são fundamentais.
Para acumular (a base da riqueza), é necessário primeiro aumentar a produção, produzindo mais em menos tempo. Engana-se quem pensa que produtividade significa trabalhar mais. Ser produtivo é produzir mais em menos tempo e espaço. Vamos focar no alicerce do enriquecimento: primeiro, produza mais. No entanto, não adianta produzir bem se você gastar mais do que ganha.
Este segundo princípio do enriquecimento é frequentemente esquecido ou desconhecido pela maioria da população, que muitas vezes cai no crédito, acreditando que ele possui o poder miraculoso de satisfazer desejos sem a necessidade de um aumento proporcional nos benefícios oferecidos. Isso é uma ilusão. Portanto, gaste menos do que ganha, independentemente de sua renda.
Ao produzir mais e gastar menos, você estará construindo as bases que levarão à riqueza desejada. No entanto, é fundamental ter um conjunto de regras e leis que garantam que aquilo que você produzir e acumular se torne realmente seu. Isso é o que chamamos de segurança jurídica. Em resumo, tudo o que você produzir e economizar se transformará em propriedade garantida. Para isso, precisamos de governos.
Esses são os princípios de enriquecimento que se aplicam a indivíduos, empresas e nações. Em exata proporção e energia. No entanto, outro conceito fundamental que precisa ser compreendido de uma vez por todas é o da economia da nação.
Não há uma terceira entidade responsável por essa economia. A verdade é que cada indivíduo é responsável pela economia da nação, e esse indivíduo está na primeira pessoa do plural. Somos nós quem devemos cuidar, em primeiro lugar, do enriquecimento pessoal; em seguida, do enriquecimento das empresas (seja como proprietário ou funcionário, a responsabilidade é a mesma); e, por fim, do enriquecimento da comunidade.
Mas por que nos importarmos com o enriquecimento da comunidade? Devemos cuidar apenas do nosso próprio bem e do de nossa empresa? Não, isso seria um ciclo de ignorância. A riqueza é uma construção social e coletiva; dependemos uns dos outros. O enriquecimento só ocorre quando todos estão progredindo, e não há estabilidade: ou a comunidade está prosperando ou está empobrecendo. O benefício que você oferece à sociedade lhe concede o direito de usufruir dos benefícios criados pela sociedade, e esses acúmulos só terão valor se a sociedade tiver o poder de adquirir de você o que você acumulou por direito.
Dessa forma, surge o “valor” do dinheiro circulante e o valor do patrimônio adquirido por direito. Suas posses só terão valor se houver interessados e capazes de adquiri-las. Portanto, não compreender que a riqueza é uma construção coletiva seria uma grande imbecilidade social.
Bem, esse é o caminho: a riqueza é um desejo individual que só pode ser alcançado por meio da cooperação no âmbito coletivo. Mas como podemos alcançar isso na prática? Isso será discutido no próximo capítulo. Associar é o caminho; vamos seguir por ele.
Autor: Gilmar Denck. O autor é empresário com 30 anos de experiência em associativismo. Formado em Filosofia e Administração
